sábado, 15 de maio de 2010

Basta Querer

Gostaria que meu coração fosse como uma porta giratória por onde as pessoas entrassem e saíssem sem que eu desse a mínima. Apenas passassem por mim, deixando souvenirs, mas não marcas.
Gostaria, de esquecer mais facilmente e recordar com tranquilidade.
Deduzir menos e respirar profundamenteantes de agir.
Deixar de sentir que um ácido corrói meus ossos e sonhos sempre que alguém parte.
Fazer minha metade vítima parar de chorar por perdas passadas que, de tão dolorosamente se lembradas, se repetem no presente.
Ser menos incoerente.
Parar de dar a alma pelo azul e -amedrontada com a vulnerabilidade de doar-se - trair o azul com o castanho.
Gostaria que minhas neuroses -paradas, imóveis, colocadas de castigo com os rostos voltados para a parede, mas sempre à espreita - deixassem de me assustar na hora mais profunda e plácida da noite, congelando meus pensamentos e sentindo as sensações fugindo-as todas em uma poça de suor e esperança.
Amar intensamente o possivel e ignorar o distante, dificio complicado.
Andar leve, abandonar o lastro.
Nunca dizer "eu odeio", "boçal" e "tenho medo".
Dizer muito mais que "sossego", "adoro quando você fala isso", "que gostoso", " sim ".
Gostaria de me tornar a materialização da paz satisfeita de um gato ao sol.
Trocar a ansiedade deterioradora por uma bala de menta.
Ter pele mais grossa.
Gostaria que alguns deixassem de existir para dar espaços para outros andarem mais livres. Sobraria mais ar.Puro. E então essas pessoas seriam mais bobas, comeriam com as mãos, teriam auto-ironia, andariam descalças com frequência, cobrariam menos, amariam naus e bão veriam a felicidade alheia como uma ameaça à sua própia.
Mas o que mais gostaria, acima de tudo, é que meu coração fosse como uma porta giratória por onde o amor entrasse facilmente.
E não saísse.

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